A toga vazia
Sob a mesma toga, somos todos iguais em nossa condição humana, embora tenhamos missões diferentes.
*Juiz Ney Costa Alcântara de Oliveira.
Hoje, Dia da Justiça, talvez seja um bom momento para lembrar que a toga vazia não é nada.
É apenas um símbolo, um pedaço de tecido que, por si só, não carrega virtude, autoridade ou dignidade. É o indivíduo que a veste quem lhe dá sentido.
Sob a mesma toga, somos todos iguais em nossa condição humana, embora tenhamos missões diferentes. E é justamente a maneira como exercemos essa missão que determina o significado que a toga terá para aqueles que nos observam e, sobretudo, para a sociedade que espera de nós justiça, equilíbrio e humanidade.
A toga pode ser instrumento de alegrias ou de sofrimentos. Pode representar acolhimento ou distância, esperança ou frustração, respeito ou temor. Tudo depende do ser humano que está por trás dela.
Por isso, precisamos compreender que não é a toga que nos torna dignos. Somos nós, por nossas atitudes, escolhas e decisões, que devemos dignificá-la.
Que saibamos vestir a toga com humildade, responsabilidade, independência e, acima de tudo, humanidade.
Que a sociedade não enxergue apenas a autoridade que ela representa, mas consiga sentir, por meio de quem a veste, a Justiça que ela deve simbolizar.
A toga não fala. Quem fala é o homem que a veste.
A toga não julga. Quem julga é o homem que a honra.
A toga não tem dignidade própria. Somos nós que devemos emprestar-lhe a nossa.
E, quando um dia a toga estiver novamente vazia, que permaneça dela a lembrança de que, enquanto a vestimos, fomos capazes de dar-lhe o verdadeiro sentido:
servir à Justiça e à sociedade com dignidade.
*É juiz titular da 6a Vara Cível de Maceió e Conselheiro da Anamages em Alagoas.







